Parte II

  Não me lembro bem onde parei (apesar de ter lido por cima).
  Após alguns dias de paz na casa da minha prima, eu voltei pra Porto Seguro, afinal ia começar as aulas, eu havia repetido a sétima série quando me mudei, tive que parar em Outubro os estudos pra me mudar. Na escola eu me sentia fora de tudo, era como se eu não fizesse parte daquilo, as pessoas, os costumes eram diferentes, mas aos poucos fui me entrosando com o pessoal, tive algumas pessoas mais próximas, outras nem tanto. Fui descobrindo a cidade, conhecendo pessoas, festas, e aos poucos eu fui me permitindo conhecer e acostumar com o lugar, afinal não tinha mais o que eu fazer. Tinha uma festa chamada Domingão Nativo, que eu amava, dançava demais até o dia raiar, mas sempre sóbria, lá não tinha essas coisas que os adolescentes usam hoje em dia pra poder curtir mais a festa. Eu ali era apenas mais uma adolescente que aos poucos se descobria. Gisele era amiga mais próxima, ia na minha casa, eu ia na dela, às vezes ela me acompanhava nas festinhas, tinha  a Janete que era a mais festeira, me lembro dela como se fosse hoje, acredito que ela não se lembre de mim, mas me lembro da maioria e guardo tudo que vivi dentro da minha mente e do meu coração. Tinha um cara que era ajudante geral na pousada ao lado, ele tinha 20 anos, e eu 15, minha mãe insistia naquelas brincadeiras dizendo que o rapaz estava a fim de mim, sempre fazendo piadinhas, até que um dia, tanto ele, quanto eu passamos a "nôs perceber", aquela coisa de menina boba, olhar tímido, sorriso bobo, como a pousada que ele trabalhavaera do lado de onde eu morava, às vezes eu me escondia em uma janelinha lá no andar da piscina pra observar ele trabalhando, aquilo era uma adrenalina tão grande pra mim, que eu me pegava rindo de mim mesma. Lembro de um dia que eu estava no centro da cidade esperando o ônibus que ele ia pra escola passar, e eu disfarcei pra ele me ver, porém ele não viu, corri pro próximo ponto de ônibus pra ele me ver, e acabei caindo e ralando o joelho, ainda bem que ele não me viu (risos). Nessa época eu com 15 anos e nunca havia beijado ninguém, eu sempre mentia pra ninguém me zoar, mas na verdade eu morria de medo de beijar alguém, e a pessoa rir de mim, espalhar que eu não sabia beijar, e eu também não sentia vontade, mas era chegada a hora disso acontecer, eu treinava na minha mão, no espelho, mas ele sendo mais experiente que eu acabou criando uma situação, me distraiu e cheirou meu pescoço, assim que fechei os olhos ele me beijou, fiquei assustada, e feliz, levantei e saí correndo pra casa. Ali começava uma história da qual me arrependo até hoje. (...Continua)

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