Na quinta série

  Naquele tempo minha maior preocupação era aprender a beijar, que medo que eu tinha de passar vergonha, do 'menino' sair falando que babei nele, medo dos meus colegas de escola descobrirem  que nunca beijei  alguém. Me olhava no me espelho e me sentia 'a estranha' a única  garota  da escola que nunca beijou, magricela, curvada e esquisita, mas que já  naquela época  chamava a atenção  por suas palhaçadas, talvez fosse a forma que eu havia inventado pra não  ser e ficar por fora da galera. Na escola eu mentia que tinha um namorado que morava na minha rua, na minha rua eu dizia que meu namorado era da escola, assim ninguém  me perturbava. Um certo dia o Rogerinho deixou um bilhete  na minha mesa antes de sair pro recreio, e nele dizia: _ Aceita namorar comigo? (  ) Sim ou (  ) Não? Quinta  série? Algumas meninas  da sala tinham seus "enroscos", eu não  tinha vontade nenhuma  de ter um, era muito meninona ( quase um moleque), gostava de video game, de sentar na calçada da rua com meus amigos pra rir e conversar, jogávamos voleibol, pega-pega, rio vermelho...entre outras brincadeiras da época. Mas eu achava o Rogerinho bonito, ele era gentil, sorridente, sempre legal com as pessoas, porém  eu olhei pra ele e disse  que a resposta era 'não',  Disse a ele que já  tinha um namorado. Ele riu e disse  que sabia que era mentira, mas que a escolha era minha, e se eu não  quisesse, outra iria querer. E foi o que aconteceu. Ele acabou pedindo  minha melhor amiga (Naquela Época) em namoro, Alessandra, marcante por sua pinta na bochecha, cabelos curtinhos e meio crespo, sorridente e magrela como eu (rs), ela aceitou namorar com ele, e nem tinha noção que ele já tinha pedido pra namorar comigo, foi aí que percebi que  eu gostava dele, mas era tarde pra eu fazer alguma coisa. O meu 'gostar' era inocente, era um gostar de rir, conversar,  de estar junto, sem grude, sem beijo molhado...sem maldade. Que eu me lembre foi a segunda  vez que eu fiquei mal por um garoto. Eles ficavam se beijando pela sala de aula, no recreio, na saída, e isso acabou me afastando dela. Tenho vagas lembranças  em relação  a minha infância, mas algumas coisas realmente marcaram, coisas que quando lembro dou risada sozinha, me faz bem lembrar daqueles que já passaram pela nossa vida.

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